Van Gogh e a viagem de um quadro

Van Gogh

Van Gogh e a viagem de um quadro

A mídia internacional deu destaque esta semana para a descoberta em Nápoles, de duas telas de Vincent que foram roubadas pela máfia há 14 anos. Um dos quadros que mede apenas 41x32cm, “ Congregação deixando a Igreja Reformada em Neunem”, nos dá pistas da personalidade e da vida do artista nessa cidade ao sul da Holanda.

Conviver com ele era como viver em um redemoinho. Obstinado, desmedido, sempre em erupção. Tresloucado. O primeiro que não aguentou o repuxo foi o próprio pai, e o expulsou de casa. E olha que o cara era religioso, pastor da igreja presbiteriana. Nem um pouco santinha, uma de suas irmãs, Zwaantje, fez uma limpeza no quarto de Vincent lotado de potes, pinturas e desenhos, e queimou toda a tralha na lareira da casa.

Mesmo com todos esses “incentivos”, quando Van Gogh soube que a mãe quebrara a perna, ele retorna a Neunem. No rigoroso inverno de janeiro ele percorreu as ruas da cidade a fim de encontrar um tema para o quadro que deseja fazer para “alegrar a mãe”. Encontrou uma capela com o sino escondido em uma torrezinha pontuda, rodeada de árvores delgadas e quase sem folhas. “A mãe gosta dessas coisas simples, ” escreveu ao irmão, e pintou o quadro, hoje avaliado em 50 milhões de dólares, e que agora volta para casa, o Museu Van Gogh em Amsterdam.

Texto: Silvia Reali


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Heitor e Silvia Reali

Viajamos para namorar a Terra. E já são 40 anos de arrastar as asas por sua natureza, pelos lugares que fizeram história, ou pela cultura de sua gente. Desses encontros nasceu a Viramundo e Mundovirado.