Marajó, festa aquática

Marajó

Marajó, festa aquática

Você quer viajar comigo para a Ilha de Marajó? Pois então prepare-se. Lá, acontecem coisas que não se passam em nenhum outro lugar do planeta. Eu sou dela, da ilha, vou te contando enquanto navegamos nesse aguão da baía de Marajó, cor de mosto de cerveja, ou cor isabel como se diz por lá. Achegue-se.

Marajó

Primeiro repare aqui no mapa: o Rio Amazonas que partiu das lonjuras montanhas peruanas, depois de serpentear pela imensidão das terras brasileiras, quando faltava um tiquim de nada para se espraiar livre no oceano, topa com quem? Eta que os índios marajoaras sabiam o que estavam dizendo quando batizaram a ilha de Mbará-yó, “tapa-mar”.

Marajó

Do lado contrário, no contragolpe vem que vem o Atlântico medindo força com o rio. Dá no quê? Na onda grande da Pororoca, um revertério de água que cabriola o rio para dentro de novo. Quem se achou no meio de um toró, tempão atrás na história, foram os búfalos quando um navio carregadinho deles, indo para as Guianas Francesas, virou. Foram nadando até a ilha e encontraram tanto alagado e lagoa que pensaram ter voltado para as Índias. Tão lá até hoje preguiçando nas poças.

Tacacá

Do leite grosso das búfalas, o caboclo faz o cremoso queijo marajoara. Papa-fina. Outra iguaria é para se tomar na boquinha da noite, o Tacacá. O que é? Ara, se nem o Aurélio sabe se é mingau ou sopa! Eu sei. É um sabor selvagem. Servido em cuias, feito com a goma dourada do tucupi, camarão, pimenta-de-cheiro e jambu, erva que dá um tremorzinho bom na língua. Humm, minha boca virou um lago só de lembrar!

Carimbó

Aguado quem vai ficar agora é você quando vir a chuva de boniteza das morenas marajoaras dançando o Carimbó. Ai, ai, aquela pele cor de cacau tostado, a cinturinha, os cachos negros dos cabelos, as saias encarnadas ondeando, e o mais dos mais, a faceirice delas…

Marajó

Pois, olhe, já atracamos! Chegou a hora de dar os embora da viagem, mas antes, te dou esse santinho de N. Sra. de Nazaré. Sabia que a imagem dela foi encontrada nas águas? “Paresque” pulou de um barco de jesuítas portugueses querendo aqui ficar.

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Heitor e Silvia Reali

Viajamos para namorar a Terra. E já são 40 anos de arrastar as asas por sua natureza, pelos lugares que fizeram história, ou pela cultura de sua gente. Desses encontros nasceu a Viramundo e Mundovirado.