Ingapirca, a Machu Picchu equatoriana
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Ingapirca, a Machu Picchu equatoriana

Ingapirca

Ingapirca, a Machu Picchu equatoriana

Em meio às curvas dos Andes, a 2.800 metros de altura e sob o signo da aventura, deixo Quito em direção ao mais importante sitio arqueológico do Equador – Ingapirca.
Para o viajante não familiarizado com o nome, vale saber que ele é precedido de credenciais que o colocam como lugar de alto valor histórico e cultural da América do Sul.

Ingapirca

Ingapirca está localizada nas ‘highlands’ equatorianas, na província de Cañar, a 4.000 metros de altura. Salto agora da geografia para a história. Seu nome significa “paredes de pedra dos incas”. Teria sido uma construção militar, centro astronômico, centro ritualista, ou todos juntos? O certo é que essas ruínas são muito anteriores aos incas, pertencem a cultura cañari. Como uma das qualidades dos incas era assimilar a riqueza cultural dos conquistados, eles preservaram Ingapirca até a chegada dos espanhóis.

Ingapirca

As imagens contam muito quando se trata de um lugar misterioso ainda a ser desvendado por arqueólogos e historiadores. Imagine então chegar ali quase ao entardecer quando as últimas cores do céu começam a dar adeus. A luz espectral destacava apenas o perfil de suas construções, criando uma atmosfera de suspense. Parecia um portal para entrar naquele tempo.

Ingapirca

Na cidadela as formas orgânicas da arquitetura harmoniosamente integradas à topografia da paisagem chamaram minha atenção. A geometria da cidade se baseia em três formas circulares que remetem aos elementos, fogo, água e ar. Entre as ruínas estão os vestígios dos Templos do Sol, de 500 d.C., e da Lua do ano 900 d.C.  Naquela época “as mulheres trabalhavam no campo, enquanto que os homens, polígamos, ficavam em casa fiando, tecendo e cuidando das armas e do rosto”, conforme relatos dos conquistadores espanhóis.
Quando a noite apaga por completo a visão das ruínas, é a vez de um vento gélido tomar a liberdade e entrar em cena.

Ingapirca

Meu plano de viagem era pernoitar em Cuenca, a 50 quilômetros dali, mas desisti da ideia. Dormi numa pousada bem próxima das ruínas com o único objetivo de visitar Ingapirca ao amanhecer, que assim como Machu Picchu guarda ainda muitos segredos.
Ingapirca é daqueles lugares enigmáticos onde o viajante está fisicamente, mas sua alma transita por outra órbita terrestre.

Heitor e Silvia Reali

Viajamos para namorar a Terra. E já são 40 anos de arrastar as asas por sua natureza, pelos lugares que fizeram história, ou pela cultura de sua gente. Desses encontros nasceu a Viramundo e Mundovirado.